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Líder sindical recebe homenagem póstuma da Câmara de Vereadores

Evento reuniu lideranças políticas e marcou cinquentenário da grande greve de 1968.

A Câmara Municipal de Osasco realizou, na última quinta-feira (10), solenidade em homenagem ao líder do movimento sindical, José Ibrahim, juntamente com a comemoração do cinquentenário da greve de 1968. Durante a solenidade, a jornalista Mazé Torquato Chotil apresentou a biografia “José Ibrahim, o líder da primeira grande greve que afrontou a ditadura”.

 A HISTÓRIA DO LÍDER

Aos 20 anos de idade, José Ibrahim foi diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. Liderou a greve de 1968 e enfrentou a ditadura militar, tendo sido preso, torturado e exilado. Estava na lista de presos políticos libertados em troca do Embaixador Charles Elbrick, em 1969.

Viveu cerca de 10 anos de exílio em Cuba, no Chile e na Bélgica. Em Bruxelas, participou do grupo de apoio à oposição sindical, fez contatos com o sindicalismo europeu e mundial, criou a M´aison de l´Amérique Latine, onde realizou encontros pela anistia no Brasil.

José Ibrahim voltou ao Brasil em maio de 1979, antes da Anistia Geral. No país, continuou suas lutas pela anistia e pela redemocratização. Ajudou a criar o Partido dos Trabalhadores, o PT, e a Central Única dos Trabalhadores, a CUT.

A GRANDE GREVE DE 1968

A greve de 68 tornou-se um dos marcos mais importantes da história das lutas de classes operárias, representou o embrião do renascimento do movimento sindical brasileiro.

Na manhã do dia 16 de julho, dentro da metalúrgica Cobrasma, em Osasco, 3 mil operários anunciaram a ocupação da fábrica. A repressão foi imediata e brutal, declarando a greve como subversiva e irregular. Logo no início da greve e sem prévio aviso, o Ministério do Trabalho decretou intervenção no Sindicato de Osasco, realizando cerco policial, invasão das fábricas e prisões dos grevistas. A greve durou 3 dias.

O movimento demonstrou firmeza das ações sindicais, serviu como base para a organização dos diversos sindicatos que passaram a emergir por todo o país e permitiu o surgimento de novos líderes de movimentos trabalhistas, como José Ibrahim e outros. 

A SOLENIDADE

O evento foi realizado na sede do Legislativo municipal e atendeu aos ritos solenes oficiais, como a composição de Mesa Diretiva e entoação do hino nacional brasileiro e do hino osasquense. Estiveram à Mesa, os Vereadores Régia Maria Sarmento (PDT) e Mário Luiz Guide (PSB). Além dos parlamentares, Antônio Roberto Espinosa, representante da Comissão da Verdade, Mazé Torquato Chotil, jornalista e escritora, e Gabriel Ibrahim, filho do homenageado.

Chamado à tribuna, Tonca Falseti, ex-Deputado Estadual, felicitou a autora da biografia de José Ibrahim e afirmou a importância do evento. “Esse evento, com o lançamento dessa obra, é um fenômeno para a nossa cidade, ele foi capaz de reunir lideranças políticas que normalmente não se encontram. Essa obra vem resgatar a memória da nossa política, aglutinar as pessoas”, disse.

Gabriel Ibrahim, filho do homenageado, emocionou-se ao falar do pai e da “grandeza de seus atos”.

“Me sinto agradecido pela história do meu pai. Cada vez que ouço um depoimento sobre ele, fico saudosamente grato”, afirmou Gabriel.

Sobre a história e as lutas de José Ibrahim, seu filho demonstrou orgulho e respeito. “Sei da história, da bravura e das lutas travadas para que companheiros sobrevivessem e tivessem direitos básicos. Por trás da saudade, o sentimento geral é de alegria, de gratidão”, afirmou.

Para Antônio Roberto Espinosa, a homenagem a José Ibrahim “não é póstuma, porque José Ibrahim não morreu, está vivo, assim como as lutas e a necessidade da luta pelas liberdades”. E finalizou afirmando que “Zé estará conosco em todas as trincheiras”.

Para falar do livro em homenagem à greve de 68 e a seu líder, foi convidada a assumir a tribuna a escritora Mazé Chotil. A autora traçou os passos para a realização da obra e falou de seu trabalho de pesquisa. Explicou que o livro é dividido em 3 partes, sendo a primeira, a formação do homem José Ibrahim. “Nesta primeira parte, falo sobre a militância, quais os caminhos percorridos e como Ibrahim chegou à presidência do sindicato”, explicou.

A segunda parte da obra conta sobre o afastamento do país e o exílio em Cuba, no Chile e na Bélgica. “A passagem de Ibrahim pelo exílio e suas atividades naquele período nebuloso de sua vida. Não abandonou a luta por causa da expulsão do país”, disse.

Por fim, a terceira parte da obra trata sobre a volta de José Ibrahim ao Brasil. “O retorno às lutas, as Diretas Já, a anistia e a participação na construção do Partido dos Trabalhadores, além da fundação de centrais sindicais”, contou a autora.

Antes de se encerrar o evento,  a Vereadora Régia fez comparações entre a juventude que se apresentou nas lutas dos anos 1960 e a dos tempos atuais. Mostrou-se preocupada com a “alienação dos jovens”. “Hoje, a juventude está na inércia, na ociosidade e não pensa em enfrentar a luta pelo coletivo. Lutar pelo próximo não passa pela cabeça dos jovens”, e continuou. “Cada um se preocupa com seu próprio mundo, assim, não se consegue aglutinar e fazer uma luta”, explicou.

Assista ao evento e veja as imagens

 

 

Vereadores
Alex Sá
Ana Paula Rossi Batista Comunidade
Cláudio da Locadora Daniel Matias De Paula
Didi Dr. Lindoso Dra. Régia
Jair Assaf
Josias da Juco Lúcia da Saúde
Mário Guide
Ni da Pizzaria Pelé da Cândida
Ralfi
Ribamar Ricardo Silva
Rogério Santos
Tinha Di Ferreira Toniolo
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