Audiência Pública debate importância da língua de sinais para inclusão dos surdos

por adm publicado 23/09/2021 10h05, última modificação 23/09/2021 10h06
Evento também debateu políticas públicas para esse segmento social.
Audiência Pública debate importância da língua de sinais para inclusão dos surdos

Foto: Ricardo Migliorini/CMO.

Por Charles Nisz

No Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, a Câmara Municipal de Osasco realizou uma Audiência Pública para discutir “A Importância da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS”. O evento aconteceu na terça-feira (21), no Plenário Tiradentes, organizado pela Comissão Parlamentar do Idoso, Aposentado, Pensionista e das Pessoas Com Deficiência, atendendo a iniciativa do vereador-suplente Laércio Mendonça (PSD).

Mendonça comentou sobre sua experiência com o tema: “Na minha passagem pela Secretaria Municipal de Assistência Social, desenvolvemos um trabalho relacionado à linguagem de sinais, sob a batuta da hoje vereadora Elsa Oliveira (Podemos). Tenho um grande compromisso com a inclusão social”.

Ralfi Silva (Republicanos) comentou sobre a dificuldade trazida pela pandemia para as pessoas que utilizam linguagem de sinais: “Muito da comunicação de sinais é feita pela leitura labial. Nesse sentido, a máscara prejudica essas pessoas. Que todos sejam vacinados e logo possamos não usar mais a máscara”.

Elsa Oliveira ressaltou a importância de tratar do tema em audiência na Câmara Municipal e lembrou o alcance da linguagem de sinais no Brasil: “Segundo o IBGE, cerca de 5% da população brasileira — ou 10 milhões de pessoas — têm algum tipo de deficiência auditiva”. Em Osasco são 120 mil pessoas, segundo o censo 2010.

A vereadora destacou a implantação de um projeto, quando ainda trabalhava na Secretaria de Trabalho, para incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho: “Sempre disse para as empresas pensarem na eficiência e não na deficiência dessas pessoas”, sublinhou Elsa.

Já a vereadora Cristiane Celegato (Republicanos) ressaltou como obstáculos na comunicação podem causar graves impactos na vida dos indivíduos. “Nenhuma pessoa merece ser alienada do contexto social por uma situação de deficiência física”.

A assistente social Clerismar Pinho da Silva, falou sobre as pessoas que trabalham e lutam para facilitar a inclusão dos PCDs (pessoas com deficiência): “É uma luta de todos e especialmente da Associação dos Surdos de Osasco, entidade que propiciou a elaboração do Projeto de Lei para que a Linguagem Brasileira de Sinais fosse ensinada em nossa cidade, permitindo igualdade de direito aos surdos”.

Segundo Clerismar, as escolas deveriam adotar a Libras como sua língua principal. Além disso, declarou que “deveríamos lutar para que os órgãos públicos tenham intérpretes de Libras em suas solenidades e atividades diárias”.

Wellington Assunção, atleta paralímpico de vôlei nascido em Osasco, sofreu amputação de perna aos 19 anos e falou da sua experiência como deficiente: “Sofri um acidente ainda muito jovem e percebi as dificuldades de ser PCD. Eu não queria nem sair na rua. Muita gente só para refletir sobre o tema quando convive com um deficiente da maneira mais próxima”.

Salomão Lira Júnior, secretário-executivo da Pessoa com Deficiência de Osasco, falou da importância de pensar o tema da acessibilidade como política pública. “Pessoas com deficiência não são especiais, elas são seres humanos. Governos, empresas e terceiro setor precisam superar o estigma de que a deficiência é um problema. A deficiência é apenas uma condição que precisa ser pensada desde a infraestrutura”.

Criados em Paris, na França, os sinais usados na maioria das linguagens de sinais aportaram no Brasil ainda em 1855, durante o reinado de Dom Pedro II. O criador da linguagem chegou ao Brasil para auxiliar um dos netos do imperador, que tinha problemas auditivos e não falava.