Palestra desmistifica suicídio e mostra importância da atenção integrada na saúde mental

por adm publicado 14/09/2021 10h40, última modificação 14/09/2021 10h38
Atividade realizada na Câmara de Osasco faz parte do “Setembro Amarelo”.
Palestra desmistifica suicídio e mostra importância da atenção integrada na saúde mental

A vereadora Elsa Oliveira.










Por Charles Nisz

“E fora dos stories, você está bem?”. Um meme popularizado nas redes sociais neste mês, que procura mostrar como as aparências enganam e que um sorriso pode esconder dificuldades em lidar com depressão e outros transtornos mentais, poderia ser o resumo da palestra realizada na Câmara Municipal de Osasco nesta sexta-feira (10).

Organizada pela vereadora Elsa Oliveira (Podemos), a palestra “Vamos Falar Sobre a Saúde Mental?” foi realizada pela psicóloga Sílvia Rezende e por Rosana Terrabuio, Supervisora de Atenção Integrada da Prefeitura de Osasco. O evento fez parte das atividades do “Setembro Amarelo”, mês dedicado aos cuidados com a saúde mental e prevenção ao suicídio.

Terrabuio enfatizou a necessidade de desmistificar o suicídio. “A gente conta para todo mundo que tem pressão alta, mas não conta que está com depressão”, comparou ela. Utilizando uma pesquisa realizada nos EUA, ela negou que divulgar ou noticiar casos de suicídio aumentariam essas ocorrências. “Ao contrário, quanto mais falarmos abertamente sobre esses riscos, redes de apoio e prevenção, faremos com que a sociedade fique mais apta a perceber pessoas que estejam precisando de apoio e que elas saibam que é possível buscar tratamento para esse tipo de transtorno”, completou.

A vereadora Elsa Oliveira pegou carona na fala da especialista da prefeitura: “A pandemia agravou os casos de saúde mental. Perdemos muita gente querida. Falar sobre isso é importante”. Ela destacou também que 96% dos 13 mil suicídios anuais no Brasil estão relacionados a transtornos mentais como depressão, ansiedade e bipolaridade.

De modo a enfrentar a situação, Rosana Terrabuio recomenda políticas que vão além do tratamento psiquiátrico: “Fazer com que essas pessoas busquem psicoterapia, façam atividade física e evitem o abuso de substâncias como o álcool e outras drogas é fundamental”, avalia. Outro aspecto é o educacional, preparar pais e professores para lidar com essas pessoas.

Um dos projetos citados pela especialista, realizado pela Prefeitura de Osasco, visa prevenir o suicídio entre jovens por meio do engajamento em dinâmicas sociais, jogos e ferramentas virtuais. Na opinião dela, a mídia pode exercer um importante papel na prevenção do suicídio e do desenvolvimento de transtornos mentais.

“Precisamos desmistificar o suicídio: acontece com qualquer pessoa, em qualquer idade. Mostrar a essas pessoas que elas têm oportunidade de buscar ajuda profissional e enfatizar o apoio de familiares e amigos. “Redes sociais como Facebook, Instagram e Google já indicam auxílio a quem digita ‘automutilação’ ou ‘suicídio’ na busca”, comentou ela.

Silvia Rezende, psicóloga e pedagoga, sublinhou o aumento dos casos entre pessoas da terceira idade. “Suicídio não pode mais ser tabu e precisamos falar sobre isso. A prevenção começa em casa e nas famílias”, enfatizou.

Conforme Rezende, pelo menos 90% dos casos de suicídio seriam evitáveis com ajuda adequada. “Cada ocorrência dessas impacta pelo menos cinco pessoas no entorno, com desdobramentos psíquicos, sociais e econômicos nessas famílias”, enumerou a psicóloga.

Por fim, Sílvia Rezende também defendeu uma política integrada de saúde para lidar com os problemas de saúde mental: “A depressão é um problema com facetas bioquímica, psicológica, social, biológica e que pode ser agravada por outros fatores como estresse, problemas econômicos, afetivos e outros”.